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17 de abril de 2012

TEXTOS COMPLEMENTARES - GLOBALIZAÇÃO

Os produtos e as marcas
          O crescimento astronômico da riqueza e da influência cultural das corporações transnacionais nos últimos quinze anos pode, sem sombra de dúvida, ter sua origem situada em uma única e aparentemente inócua idéia desenvolvida por teóricos da administração em meados da década de 1980: as corporações de sucesso devem produzir principalmente marcas, e não produtos. (...) Todo mundo pode fabricar um produto, raciocinam eles (...) Essa tarefa simples, portanto, pode e deve ser delegada a terceiros cuja única preocupação é atender às encomendas a tempo e dentro do orçamento (e o ideal é que fiquem no Terceiro Mundo, onde a mão-de-obra é quase de graça, as leis são frouxas e isenções fiscais e redução de impostos conseguidas aos montes). As matrizes, enquanto isso, estão livres para se concentrar em seu verdadeiro negócio - criar uma poderosa rede de convencimentos (marketing) para impor modismos e necessidades a esses toscos objetos apenas assinalando-os com seu nome. O que importa, verdadeiramente, é o valor da marca agregada ao produto.
in Território e Sociedade no mundo globalizado. Elian Alabi Lucci e outros. 2005. p.128 (adaptado)
As Multinacionais
          No contexto da economia mundial globalizada, a disputa econômica entre as empresas tem como palco o mercado mundial. Vivemos rodeados por produtos das mais diversas origens, fabricados por multinacionais bastante conhecidas.
          As empresas multinacionais ampliaram seus mercados, vendem seus produtos em praticamente todos os países, aumentaram o número de filiais em todo o globo e compraram muitas empresas em vários países, principalmente nos subdesenvolvidos.
          Cerca de 90% das maiores corporações industriais financeiras e comerciais está situada em três regiões geográficas: Estados Unidos (responsáveis por mais de 40%), Europa e Japão.
          Multinacionais de vários setores - alimentos, vestuário, comércio, indústria, telecomunicações, bancos, entretenimento, etc. - ampliaram a sua presença no mundo inteiro. Mas o destino dos lucros transferidos pelas filiais, as grandes decisões sobre investimentos, marketing e localização dos centros de pesquisas para desenvolvimento de tecnologia, permanecem concentrados nas sedes dessas empresas, situadas nos países desenvolvidos. Muitas delas controlam recursos naturais, terras e jazidas minerais de vários países do mundo.
          Algumas empresas movimentam anualmente um capital superior à economia de vários países reunidos. Em conjunto, são responsáveis por cerca de 70% do comércio mundial de mercadorias. Os países escolhidos para os investimentos dessas empresas são aqueles que oferecem as maiores vantagens: mão-de-obra barata, abundante e com razoável qualificação, matérias-primas abundantes e de fácil acesso, significativo mercado consumidor, baixos custos para instalações das plantas industriais e, principalmente, incentivos fiscais como redução ou isenção de impostos, energia de baixo custo, redes de transportes e comunicações eficientes, etc.
Levantamento do Institute for Policy Studies, Top 200: The Rise of Corporate Global Power 2000 informa que "das maiores cem economias do mundo, 52 agora são corporações, apenas 48 são países". A pesquisa mostra que o pódio das maiores "A Mitsubishi é a 22ª maior economia do mundo. A Ford é a 31ª. Todas são economias maiores do que a Dinamarca, Tailândia, Turquia, África do Sul, Arábia Saudita, Noruega, Finlândia, Malásia, Chile e NOva Zelândia". O mesmo estudo contabiliza que "em 1999 o valor das vendas das corporações General Motors, Wal-Mart, ExxonMobil, Ford Motors e DaimlerChrysler, em separado, foi maior do que o PIB de 182 países. O valor das vendas das duzentas maiores corporações cresce mais rápido do que a economia global". No entanto, diz a pesquisa, essas "duzentas maiores corporações do mundo responsáveis por quase 30% da atividade da economia global, empregam menos de 1% da força de trabalho do mundo. Enquanto o lucro delas cresceu 362% entre 1983 e 1999, o número de empregos cresceu apenas 14,4%. Essas companhias, ao comprar competidores, eliminam empregos duplicados", encerra o trabalho. As mil companhias mais ricas do mundo controlavam mais de 80% da produção industrial do planeta, apurou o veterano correspondente internacional americano Robert Kaplan [The Atlantic Monthly, em 1997].
            
in Território e Sociedade no mundo globalizado. Elian Alabi Lucci e outros. 2005. p.128 (adaptado)

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